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Mark Rein Hagen

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Mark Rein·Hagen é um conhecido autor rpgístico, autor do livro Ars Mágica, e da série de livros Vampiro: A Máscara, Lobisomem: O Apocalipse, e outros títulos ambientados no que é conhecido como World of Darkness, além de produtor do seriado televisivo Kindred: The Embraced.

Esta entrevista foi publicada originalmente na revista Dragão Dourado, ano 1, número 02 em 02 de Julho de 1994, quando Vampiro: A Máscara estava sendo lançado em Português aqui no Brasil e o jogo de RPG de Street Fighter estava sendo preparado para os EUA.

A entrevista foi realizada por Luiz Ricon de Freitas e Flávio Andrade e se chamava “Entrevista com o vampiro: Mark Rein Hagen”. Aproveitem este achado do colaborador Eric Musashi, da Shotokan RPG!


E ele esteve entre nós. Mark Rein Hagen, conhecido e idolatrado pelos jogadores de RPG por ter criado o Vampire, the Masquerade, o jogo do momento, e co-responsável pelo Ars Magica, um jogo de ambientação medieval adulto.

Mas o grande mérito de Rein Hagen não foi ter feito um jogo de vampiros diferente, onde os jogadores interpretam vampiros em vez de caça-los. O ambiente do jogo é o world of darkness, um mundo sombrio, moderno, onde os vampiros se dividem em clãs e caminham secretamente em nossa sociedade, tendo participação ativa na História através de tramas políticas e jogos de poder. Este RPG foi lançado nos EUA pela White Wolf, que criou mais dois jogos que interagem com Vampire: Werewolf e Mage.

Mas o principal mérito de Rein Hagen foi ter introduzido o conceito de storyteller (contador de história), uma nova filosofia de jogo que tira um pouco a importância do sistema e traz o RPG mais pra perto de outras formas de manifestações culturais e artísticas, como a literatura, o cinema e, principalmente, a tradição oral. Mas esta nova filosofia não está restrita apenas aos jogos da White Wolf. O storyteller pode ser usado em qualquer RPG, pois o que faz um jogo ser o que é são os jogadores que o jogam.

Rein Hagen veio ao Brasil para o lançamento da versão brasileira do Vampire (Vampiro, a Máscara) pela Devir Livraria. Esteve em São Paulo, Curitiba e no Rio de Janeiro, dando aos jogadores brasileiros mais motivos para admira-lo. No Rio, passou um dia dando autógrafos, deu uma palestra na RPG Rio e outra na PUC-Rio, apareceu em algumas festas e visitou a Feira de São Cristovão (e adorou tudo). Só não sabemos de, no último dia, ele realizou o desejo de andar de asa delta, pois o deixamos no hotel às 3h da manhã (e, vocês sabem, asa delta tem que ser durante o dia, sob a luz do sol…). Mas chega de papo e vamos à entrevista que Luiz Eduardo fez pra gente na Point HQ.

P – Qual a sua definição de Role Playing Game?
R – Eu acho que RPGs são priemira e simplesmente contar histórias de forma interativa. É uma maneira de contar histórias que, muito mais do que nos quadrinhos ou na Tv, a platéia, o espectador toma parte na história. Por exemplo: as HQs são histórias interativas. As pessoas geralmente não pensam assim, mas é verdade. Porque, quando você lê quadrinhos, você põe sua imaginação para preencher os espaços vazios. Você tem um desenho na direita e na esquerda. O que acontece entre eles? A sua imaginação preenche a lacuna. É interativo. Só que no RPG as lacunas são bem maiores. E não é só isso. A própria seqüência dos “desenhos” é algo que você pode criar junto com seus amigos. Isso torna o RPG uma forma muito emocionante de contar histórias. Porque você está criando uma história e está intimamente envolvido nela, além de fazer de você o artista, o escritor, o contador de histórias. E é algo único. Não há nenhuma forma de contar histórias como o RPG.

P – Você se lembra da primeira vez que jogou RPG? Como foi?
R – Claro que me lembro. Foi com meu pai, que é um pastor luterano. Ele tinha um aprendiz, um noviço ue pregava na igreja. E, após a igreja, tínhamos o tradicional almoço de família de domingo. E um dia, após a ceia, o noviço disse: “Eu tenho um jogo para nós, um tipo diferente de jogo. Se chama Dungeons & Dragons”. Então, meu pai – o pastor luterano – e eu sentamos na mesa e jogamos. Ele como um anão e eu como um ladrão meio-elfo. A aventura se chamava In Search of the Unknow (Em Busca do Desconhecido). E para mim foi uma “revelação”. Eu fiquei vidrado. E nos meses seguintes, enquanto o noviço ainda estava na cidade, eu passava na casa dele todos os dias para pegar livros emprestados e para jogar. Era o máximo.

P – Quantos anos você tinha?
R – Eu tinha 14 anos. Mas parei de jogar quando cheguei aos 17.

P – Quando você decidiu criar RPGs ao invés de só joga-los?
R – Eu sempre quis me tornar diretor e roteirista de cinema. Mas nos EUA é muito difícil entrar nesse campo. então, na faculdade, eu estava pensando no que ia fazer. Eu não queria um emprego normal, eu não queria trabalhar só para me sustentar. E, ao mesmo tempo, eu sempre gostei de ser um empreendedor. Eu era aquele tipo de garoto com a barraquinha de limonada, sabe? Por exemplo: meus amigos cortavam a grama nas casas e eu conseguia os clientes e fechava os negócios. De qualquer modo, o que aconteceu foi que eu redescobri o RPG e dois meses depois já estava escrevendo. Simplesmente aconteceu.

P – E qual foi o primeiro RPG que você criou (publicado ou não)?
R – O primeiro não publicado foi um jogo chamado Mindscape (Fuga Mental). Eu estava dirigindo numa viagem de oito horas pelo interior de Minessota e Iowa. Estava indo ver Johnathan Tweet, que acabou escrevendo o RPG Ars Magica comigo. E no caminho eu só escrevia, escrevia e escrevia. Eu parava o carro o tempo todo e tomava notas das minhas idéias. E Mindscape era um jogo muito estranho onde o que você acreditava criava a realidade. Então, era um completo mundo de sonhos onde as pessoas combatiam usando a força de vontade e os sonhos. Muitas das idéias foram aproveitadas no World of Darkness (Mundo das Trevas), a ambientação dos jogos Vampire, Werewolf e Mage. Só que, depois das primeiras partidas, os jogadores se recusaram a jogar novamente. E diziam: “Esse é o pior jogo que já vi na vida!” Depois, eu lancei uma linha de cards para serem usados nos jogos. Eles venderam bem. E aí eu escrevi Ars Magica. E ele vendeu bem.

P – Voccê se considera um escritor ou um projetista de jogos?
R – Eu me considero um criador. Eu crio mundos.

P – Quais são seus ídolos?
R – Eu acho Call of Cthulhu um dos melhores RPGs já feitos. Eu admiro GregStafford, que é um dos maiores criadores de jogos. Além desses, eu admiro Joseph Campbell, Carl Jung, John Steinback, Martin Scorcese, James Cameron.

P – Fale um pouco mais sobre você. Quais seus hobbies, filmes, músicos e livros preferidos?
R – Eu gosto de The Cure, Oingo Boingo… no Vampire eu cito várias bandas que eu admiro. Quanto a livros, eu gosto de literatura séria. Gosto muito dos autores russos, dos autores ingleses. Eu até gosto de Shakespeare. É, é raro, pois a maioria diz que gosta mas nem conhece. E eu gosto muito de ficção científica. Eu adoro Orson Scott Card. O jogo do Exterminador é um dos melhores livros que eu já li.

P – Você se lembra quando e como você pensou pela primeira vez em escrever Vampire?
R – Eu estava indo para a GenCon, a maior convenção de jogos dos EUA. E havia um ano e meio que eu vinha tentando pensar num jogo, porque eu tinha escrito o Ars Magica mas não estava vendendo. Eu estava muito, muito pobre. Tão pobre que eu não tinha nem carro. E, nos EUA, se você não tem carro, você não faz nada. E eu já estava de saco cheio. Eu tinha escrito um jogo chamado Inferno, onde você jogava com uma alma no inferno. Nós jogamos uma vez e alguém deixou o carro sem engrenar e o carro desceu a rua e bateu num transformador e explodiu! A rede elétrica queimou todos todos os fax e computadores da casa, o carro pegou fogo, o cara quase morreu… Bem, depois disso eu pensei: “Chega de Inferno. Isso dá azar”. E, voltando de carro, eu finalmente tive o estalo: “Vampiros!” E meus amigos disseram:”Não vai funcionar”. E eu disse: “Vai”. E eles disseram: “Não tem graça matar vampiros!” E eu disse: “Não, vocês vão ser os vampiros!” E eles ficaram meio incrédulos. Mas as pessoas que testaram o jogo também não gostaram. Eu não acredito muito em testes. Para burilar detalhes tudo bem, mas a base não pode sair dos play testings.

P – Qual o conceito central do Mundo das Trevas?
R – A ideía central é que a crença vem antes da realidade. No mundo real, você tem o mundo e depois a mente. O mundo cria a mente. Isso é chato. No mundo das trevas, a sua mente cria o mundo. O que você acredita cria a realidade. A mente veio antes. Se sua vontade for grande o bastante, se você acreditar o suficiente, a magia acontece.

P – Por que você considera os RPGs como uma forma de arte?
R – Eu acredito que arte é tudo o que reflete e fala sobre o que é ser humano. Eu acredito que RPG pode ser arte, não que todo RPG seja arte. E RPG pode falar diretamente sobre o que é ser humano. porque ele te coloca diretamente dentro da obra. Quando você acha um quadro bonito você diz “que belo quadro, me senti sugado para dentro dele!” ou “que filme bom, me puxou para dentro da história”. Os RPGs fazem isso naturalmente. É muito bonito.

P – A White wolf se tornou uma empresa muito influente nos últimos anos. Qual a razão disso?
R – Story telling. É verdade. A maioria dos RPGs vêem o Role Playing como diversão. Muitas empresas trabalham na base do “vamos das o que os garotos querem. Vamos dar violência, monstros para matar”. Eles não entendem o que Role Playing é realmente. A White Wolf entende. Nos EUA, nós ainda não temos concorrentes, porque a amioria ainda encara RPG como um tipo de jogo de guerra e não como uma arte de contar histórias.

P – Como foi o começo da White Wolf?
R – Difícil. Stuart Wieck era domo da White Wolf Publishing e eu era dono da Lion Rampant, que fez Ars Magica. E ele fez a revista White Wolf Magazine. Mas a Lion Rampant não ia bem, pois o Ars Magica não era muito popular. A crítica adorava, mas não vendia o bastante. E nós nos encontramos um dia no topo da Stone Mountain, apertamos as mãos e começamos a empresa. Antes disso, eu comecei a Lion Rampant com o dinheiro dos livros para a faculdade. E nós fomos para a GenCon vender os cards e parávamos todo mundo dizendo: “Vocês têm que comprar esses cards!!” Se não tivéssemos vendido, eu não teria ido para a faculdade. Desde então, White Wolf saiu do estágio da xerox mas todo o dinheiro veio da própria empresa, não entrou dinheiro de fora.

P – White Wolf, Wizards of the Coast (que produz a coqueluche Magic The Gathering) estão liderando, de uma certa maneira, o mercado, a exemplo do que aconteceu nos quadrinhos com a Image Comics. O que causou essa mudança de poder?
R – Acho que é porque tanto RPGs quanto HQs são produtos de vanguarda, no sentido de que as pessoas querem o que é novo e o que é bom. Não é como nos romances, onde as pessoas não querem o que é bom, querem o que todo mundo admira; ou ópera, onde não há espaço para o novo e bom, apenas para o clássico. RPGs e HQs são artes muito novas e o público não é de crianças, mas cada vez mais de pessoas que querem algo novo. Se for bom eles vão comprar. É excitante trabalhar num ramo onde o que é bom é o que vende. Quase nunca é assim.

P – A White wolf está trabalhando numa versão RPG para o videogame Street Fighter. Como isso se encaixa no conceito de story telling?
R – Porque há crianças jogando RPG. Mas eles estão jogando o que? D&D, talvez Role Master. E o que estão fazendo? Não estão contando histórias. O que fizemos foi pegar algo que toda criança nos EUA sabe o que é e gosta. E nós pusemos alguns ingredientes de story telling. Não é um jogo como o Vampire, mas tem alguma coisa. O bastante para levar o público para a direção certa.

P – Mas Street Fighter pode ser story telling? E a porradaria onde fica?
R – Bom, eu gosto de jogos de guerra, eu jogo videogames. Eu não acho que é story telling, mas eu gosto. No Street Fighter vamos juntar as coisas. Metade do jogo é…(faz gestos de socos e chutes) e a outra metade é story telling. Para prender os jogadores mais novos, você tem que ter os dois. E Street Fighter tem personagens interessantes. Nós poderíamos ter feito Mortal Kombat. É melhor, mais novo, mas os personagens não são tão bons. Os personagens de Street Fighter têm fraquezas, objetivos. E a verdade é que D&D está morrendo. Nos EUA as vendas estão caindo, caindo. E se não há nenhum RPG para atrair as crianças, o mercado acaba em cinco anos. E eu não quero isso.

P – Primeiro havia o D&D; depois, jogos baseados em muitas regras; e agora o story telling. Qual será o próximo passo na sua opinião?
R – Acho que o story telling é o pico da evolução… Brincadeira. Acho que, no futuro próximo, os jogos terão cada vez menos regras e talvez mais de uma pessoa sendo o narrandor. Talvez mais jogos sem dados, sem regras, E, no futuro mais distante, a realidade virtual.

P – Você não acha a realidade virtual uma limitação à imaginação, pois o que você vê ou sente é o que foi programado?
R – Sempre haverá espaço para os jogos de mesa porque a imaginação é invencível. Mas, para as massas, para a maioria sem imaginação, os RPGs são inalcançáveis. Eu acredito, e estou sendo elitista, que RPG é feito para, no máximo, 20% da população. Porque a maioria não quer exercitar a imaginação. Mas, antes disso, a grande sacada vão ser os live action. Por enquanto, as regras são muito cruas, como jogos de primeira geração. Mas nos próximos anos eles vão avançar muito.

P – Quais são os próximo projetos da White Wolf?
R – Antes de vir para o Brasil, eu acabei o Wraith, que é um jogo sobre mortos. E a novidade a respeito é que é meio como o Inferno, só que você é um fantasma. E você tem duas fichas de personagens: uma para você e outra para sua sombra, seu lado negro. E outro jogador interpreta a sua sombra, e você interpreta também a sombra de alguém. e você está o tempo todo cochichando, sacaneando, tentando atrapalha-lo. É como Paranóia encontra Vampire.

P – O que você achou do Brasil como um mercado de RPG?
R – Eu achei o mercado brasileiro muito criatvo. E há talentos incríveis aqui. e os Role Playings que eu vi aqui, os autores e os artistas são incríveis. Eu vejo o RPG crescendo muito. Vocês têm uma atitude positiva e, com certeza, um brilhante futuro.

Top 5 2010-2015

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Em 2009 tive a ideia de colocar este blog no ar, uma vez que Street Fighter RPG tinha sido o cenário e sistema de regras mais legal que eu já tinha jogado e que como resultado de uma crônica de 2 anos com meu saudoso grupo eu tinha muito material e ideias para criar um blog. Neste primeiro ano de vida o foco do blog foi divulgar as traduções dos materiais importados e disponibilizar na web todas as informações presentes nos livros oficiais para consulta online. Ainda em 2009 eu publiquei um post chamado Top 5 2009 onde eu rankeava os posts mais lidos do ano inteiro, para dar um norte do que estava bombando no site para os novos visitantes. De lá para cá acabei não fazendo mais essas retrospectivas anuais, o que pretendo mudar…hoje!

Este post é um retrospectiva dos conteúdos mais acessados pela audiência da SF RPG Brasil entre os anos de 2010 e 2015. Espero que esse ano (2016) eu me lembre de escrever novamente!

Top 5 – Páginas

1. Home: 67.138 acessos
2. Estilos de Luta: 36.534
3. Personagens: 28.549
4. Feed: 16.858
5. Manobras Especiais: 14.532

Obviamente, a home do site aparece em primeiro quando o assunto é páginas mais acessadas, com uma diferença de quase o dobro do que o 2º colocado, que é uma das principais atrações do site: os estilos de luta. A página de personagens não poderia faltar, visto que é uma das páginas que sempre recebeu mais atualizações, devido às adaptações dos personagens dos games. Para completar, o Feed (que armazena um índice de todos os posts do site) e a página com as Manobras Especiais. Antigamente a página dos Livros Oficiais aparecia aqui, curioso como não mais.

Top 5 – Posts

1. Guerreiros Mundiais: 34.091
2. Akuma em Street Fighter 2 Victory: 25.130
3. Criação de Personagem: 12.289
4. Caracteristicas e Sistemas: 9.590
5. Nomes de Personagens: 9.259

Esta é a categoria do Top 5 mais disputada, porque qualquer post pode concorrer. A vitória do post sobre os Guerreiros Mundiais já era esperada, principalmente considerando que este post já foi uma página fixa no passado e também porque é onde abriga a listagem de todos os principais personagens organizados por torneio mundial que ocorreu nos games. O segundo post, Akuma em Street Fighter 2 Victory, é de fato o post (já que os Guerreiros Mundiais eram página antes) mais acessado nos últimos 5 anos, devido a ser um “easter egg” bem famoso no anime de SF mais famoso do Brasil. Os posts de como criar um personagem e sobre as características vem na sequência, e para fechar, o inusitado Nomes de Personagens, um post bem bacana sobre como criar nomes interessantes para seus personagens e NPCs em crônicas de SF RPG, super recomendado!

Top 5 –  Cultura

1. Akuma em Street Fighter 2 Victory: 25.130
2. Street Figter 2 Victory: 8.846
3. Curiosidades de Street Fighter 2 Victory: 7.752
4. Street Fighter Code of Honor: 6.801
5. Os Uniformes das Artes Marciais: 4.919

Na categoria de Cultura entram os posts que tratam de contos, artigos, entrevistas, curiosidades e assim por diante, sem ligação com o jogo de SF RPG diretamente, mas que tem a ver com o mundo de SF ou artes marciais. Aqui os posts sobre o anime de Street Fighter 2: Victory imperam absolutos, emplacando 3 deles nas primeiras posições: o post sobre as aparições de Akuma, o post com a resenha crítica do anime e o post apenas com as curiosidades da série. E por fim, temos o post sobre o desenho animado de SF baseado no filme do Van Damme (sic) e por fim um artigo bem bacana sobre os uniformes das artes marciais, para enriquecer suas crônicas.

Top 5 – Manobras Especiais

1. Metsu Hadouken: 3.709
2. Shun Goku Satsu: 3.380
3. Ansatsuken: 2.767
4. Ashura Senkuu: 2.171
5. Dim Mak: 2.050

Aqui o mal impera: temos Metsu Hadouken, Shun Goku Satsu, Ansatsuken e Ashura Senkuu como manobras especiais mais visitadas no blog nos últimos 5 anos, o que mostram uma tendência ao Dark Hadou entre os leitores do blog. o.o Fecha o Top 5 de Manobras, o famoso Dim Mak do Kung Fu.

Top 5 – Estilos

1. Karatê Shotokan: 8.970
2. Kung Fu: 6.433
3. Ninjitsu: 5.157
4. Thai Kickboxe: 5.114
5. Tae Kwon Dô: 4.300

Seguindo a tendência dos posts de Manobras Especiais, temos Karate e Kung Fu como estilos mais visitados do blog, seguidos pelo misterioso Ninjitsu de Guy, o Muay Thai de Sagat e o Tae Kwon Dô da novata Juri Han.

Top 5 – Personagens

1. Akuma: 7.418
2. Gouken: 7.077
3. Ryu: 5.981
4. Cody Travers: 4.898
5. Cammy White: 4.091

E por último, provavelmente o Top 5 mais esperado: o de Personagens. Adivinha quem é o 1º lugar? Sim, nosso amigo ruivo de gi negro: Akuma. Seguido por Gouken e seu discípulo Ryu. Sim, o Ryu ficou em 3º lugar no Top 5 de personagens!! Eu particularmente não curto muito Ryu, mas sei que ele é o favorito da galera e estranhei esse resultado. Mesmo. Em 4º eu esperava o Ken, mas veio…Cody! Em 5º temos a britânica Cammy.

Conclusões

Este foi o Top 5 de retrospectiva dos últimos 5 anos do site que voltou este ano com tudo e promete muito para 2016. Planilhas dos personagens em cada época dos jogos, mais informações sobre sua aparência, seu histórico organizado pelas épocas dos games (1, Alpha, 2, 4 e 5), dicas de como os narradores podem usá-los em suas crônicas, tudo sobre o cenário de SF4 e SF5 e muito mais. Assinem nossa newsletter deixando seu e-mail no formulário no final deste post para não perderem nenhuma novidade!

Street Fighter: Assassin’s Fist

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Este filme live-action, originalmente chamado Street Fighter: Ansatsuken (Punho do Assassino, em tradução literal) foi feito em 2014 como uma mini-série que agora está disponível na Internet como um longa metragem. Narra os treinos de Ryu e Ken sob a tutela de Gouken, enquanto que descobrem a história de seu mestre e os próprios segredos do estilo Ansatsuken de Karatê.

Sem sombra de dúvida é  amelhor obra live-action já feita para Street Fighter, muito melhor, em todos os sentidos, que o filme do Van Damme ou da Lana Lang. De produção britânica com filmagens na Bulgária, foca-se em mostrar o que aconteceu com Gouki, irmão de Gouken, após dedicar-se aos estudos das artes negras do Satsui no Hadou (Intenção Assassina) visando ser o melhor lutador de Ansatsuken de todos os tempos, causando desgraça na sua família e pondo um fim à era Goutetsu de Ansatsuken ao transformar-se em Akuma.

Para quem viu o anime Street Fighter Alpha: Generations, não tem muita novidade aqui, mas é diversão na certa. O mesmo triângulo amoroso com a sobrinha de Goutetsu, Sayaka, é mostrado, a inclinação do jovem Gouki para as artes das trevas e o próprio sofrimento de Ryu, que teme perder o controle para tal poder. Os atores ficaram muito bem caracterizados e os efeitos convincentes, embora eu ainda prefira o tom mais misterioso e raro de Chi presente em SF2: Victory. Na minha opinião eles não deviam soltar tantos Hadoukens neste filme…

Nota 10, super recomendado. Você encontra ele facilmente dublado no Youtube e em Full-HD.

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Super Street Fighter 4: Juri

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Super Street Fighter 4 foi lançado em 2010 sob a pretensão de ser a edição definitiva do jogo, o que sabemos que não é verdade uma vez que tivemos a versão Ultra em 2013. Ainda assim, foi um grande lançamento uma vez que consertou diversos problemas de equivalência dos lutadores (Sagat por exemplo era o único lutador de classe S na primeira edição de SF4) e nos brindou com uma série de personagens adicionais, alguns vindos da série Alpha/Zero, outros de SF2 e mais alguns de SF3. Além disso, dois novos personagens surgiram nesta edição da franquia: o guerreiro turco Hakan e a Taekwondista Juri Han, e é dessa segunda que vamos falar.

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Assim como na primeira edição do game, a edição Super nos brindou com um anime exclusivo da série, para servir de introdução à nova personagem Juri Han. No anime anterior, The Ties that Bind, que resenhamos anteriormente, foi mostrado o experimento BLECE que era uma arma que visava potencializar o Chi do corpo humano, o que parece ser a base do Tanden Engine que Seth usa em seu abdômem. Muito se falava sobre as possibilidades se tal arma pudesse ser miniaturizada e nesse anime somos apresentados ao Feng Shui Engine que substitui o olho esquerdo de Juri, uma assassina a serviço da S.I.N., a organização de Seth, ex-subsidiária da Shadaloo.

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O anime é curto, dura 35 minutos apenas mas supera em muito o seu antecessor. Não apenas os traços estão mais detalhados mas a história e os combates são muito melhores. Nele, o mesmo trio de combatentes do crime, Guile, Chun Li e Cammy estão investigando a organização armamentista que está por trás de manipulação da polícia e assassinatos, quando dão de encontro com Juri, que lesiona seriamente Chun Li. Investigando mais a fundo eles passam a entender mais sobre o passado de Juri, e misteriosamente recebem informações sobre seus próximos passos. Não vou dizer quem passou as informações para não estragar a diversão, mas o anime ainda conta com a participação das Dolls e de Viper.

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Não temos Ryu e Ken dessa vez, mas sinto informar aos fãs que não fez falta, uma vez que os enredos onde Ryu aparecem ficam girando em torno de seus problemas com o lado negro…De qualquer forma, extremamente recomendado, diversão garantida para os fãs da série e importantíssimo para entender melhor a história do torneio de SF4, lembrando que este jogo não é um novo torneio, mas um aprofundamento no mesmo de antes. Aqui é deixado mais claro a rixa entre Shadaloo e S.I.N, mas deixo para vocês tirarem suas próprias conclusões.

Ficou com vontade de ver? Dá uma procurada no Youtube que você acha!

 

Street Fighter 4: The Ties That Bind

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Quando Street Fighter 4 foi lançado em 2008 o alvoroço foi grande. Embora o último lançamento de um game da franquia não fizesse tanto tempo assim, uma novidade agradou muito os fãs: SF4 não era uma continuação de SF3, não tão aclamado pelo público principalmente no Brasil, mas sim uma continuação do épico Street Fighter 2. Lembro que na época muitos me perguntaram se haviam pulado o 3…

Com os mesmos guerreiros da última edição de SF2 mais algumas adições, muito se questionava sobre seu enredo, uma vez que Bison e Gouken eram dados como mortos no final de SF2 mas voltaram a aparecer agora. Então para a alegria dos fãs, em 2009, quando foi lançada a versão para consoles a Capcom presenteou a todos com um brinde: um novo anime de Street Fighter que se passa antes da história do game começar e serve de introdução à nova trama, motivo desta resenha.

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Street Fighter 4: The Ties that Bind é traduzido não-oficialmente (afinal nunca tivemos uma versão brasileira do game) como Os Laços que Ligam, fazendo alusão às conexões que veremos durante o anime e até mesmo durante o jogo. Tem a duração de 64 minutos aproximadamente e pode ser visto no Youtube procurando pelo título em português mesmo, para quem quiser ver legendado.

Falando do enredo em si, o anime começa mostrando uma investigação do Delta Red, organização secreta que Cammy atua investigando testes de algum tipo de arma na floresta amazônica, bem como Chun Li e Guile investigando o desaparecimento de artistas marciais pelo mundo inteiro. Também mostra o errante Ryu em sua jornada pessoal para controlar o Satsui no Hadou e o agora casado (ele casa com Eliza no final de SF2, lembra?) e empresário Ken Masters, se sentindo entendiado com a nova vida. Estreando no anime temos a novata Crinsom Viper que se mostra uma espiã a serviço de Seth, o novo vilão principal da franquia, que busca pelos mais poderosos lutadores do planeta para aperfeiçoar sua nova arma mortal que usa a energia Chi como combustível. E quem você acha que tem a maior quantidade de Chi para ele utilizar em seus testes?

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O que eu achei do anime? Tecnicamente falando o traço é razoável. O Ryu está meio gordo, Guile está meio caricato demais, mas Viper e as demais meninas estão muito bem caracterizadas, incluindo a jovem Sakura, que tem um papel bem importante no anime. Não temos grandes participações de outros personagens para comentar.

Do ponto de vista de enredo, ele é interessante. Um bom plot para um novo torneio. Mas a história é fraca do ponto de vista de ação, temos poucas lutas realmente interessantes. Para falar a verdade, apenas uma, a de C. Viper com Cammy. As demais são fraquíssimas, principalmente a final entre Ryu e Seth. Claro, é apenas um anime que serve de prólogo, mas confesso que quando assisti esse anime eu estava vendo SF 2 Victory e SF Code of Honor, e as lutas estão em um nível um pouco acima do segundo e muito abaixo do primeiro. Talvez por isso a decepção maior.

Como sempre costumo dizer, é SF, então está valendo.

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A História do Templo Shaolin

A História do Templo Shaolin

Durante o século 5 D.C, um templo Budista foi fundado na montanha Shao- Shih; ele era chamado de Shaolin Ssu, que significa “Templo da Jovem Floresta”.

Ele virou um dos mais famosos centros de aprendizagem da religião Budista. Este era o lugar onde Bodhidharma ensinava. Em adição a seus ensinamentos espirituais, eles impunham a seus monges uma série de exercícios para aumentar seu vigor através de difíceis testes mentais e físicos que lhe eram exigidos. Estes exercícios não eram originalmente designados para combate, mas logo uma forma de boxe foi criada no Templo Shaolin. Chamada de Shaolin Ch'uan Fa (Caminho do Punho Shaolin), ela eventualmente tornou-se um famoso estilo naquelas terras. E tornou-se motivo de muita glória derrotar um monge Shaolin ou ser convidado a entrar no Templo. Não que isto fosse fácil.

De acordo com as lendas, os monges tinham de passar por árduos testes, tanto físicos quanto mentais, para ter direito a aprender as técnicas secretas do templo. Aceitava-se somente estudantes que passassem nos testes de paciência e humildade; ele era mantido aguardando por vários dias, sendo insultado verbalmente para ver seu temperamento. Se ele perdesse a cabeça, era rejeitado. Então, os que realmente mereciam aprender eram separados do resto.

O ultimo teste envolvia o mestre do templo servindo chá para os possíveis estudantes. Se o estudante aceitasse o chá, ele era mandado embora por desrespeito; eles tinham que agradecer a gentileza sem aceita-la, tendo eles mesmos de servir o mestre.

O cotidiano no templo era uma árdua sucessão de exercícios físicos e mentais. Os estudantes tinham de se dedicar inteiramente ao templo e seus ensinamentos, e não era permitido sair; há muitas histórias de tentativas frustradas de escapar do templo. Foi no Templo Shaolin que se criaram os Preceitos das Artes Marciais.

Graduações na escola eram mais desafiantes ainda. A rendição da catarata veloz foi uma tentativa de graduação descrita no episódio piloto da série Kung Fu. Depois dos questionamentos sobre a doutrina budista e sua filosofia, iniciava-se um exame físico, testando se monge e estilo eram um só. O teste final era incrível, todos os tipos de objetos eram jogados no estudante enquanto ele atravessava um corredor de uma câmara. Se o estudante falhasse em aparar todos eles, ele falhou no teste (muitos monges sofrem por terem tentado dúzias de vezes sem sucesso).

Ao fim do corredor, esperava pelo estudante um teste mais severo ainda: um caldeirão de ferro cheio de carvão flamejante pesando 250Kgs para carregar durante o restante do caminho. Durante o processo, marcas feitas pelo ferro quente do caldeirão iam surgindo pelos seus antebraços em formatos de tigres e dragões, indicando o fim do teste e marcando o monge para sempre como um membro do Templo Shaolin.

Depois de milhares de anos de esplendor, entretanto, o Templo Shaolin sofreu um desastre. Durante o século XVII, uma tribo da fronteira chinesa, os Manchus, conquistaram o resto da nação e fundaram a dinastia Ch'ing. Um número de monges simpatizantes do antigo governo, ajudados por grupos rebeldes lutaram contra o novo regime. Obviamente o governo imperial enviou um exercito para acabar com os monges Shaolin. Este ataque foi fortemente escurraçado do templo pelas forças Shaolin. Então, um exercito maior ainda invadiu o templo em 1735. De acordo com a lenda, somente 5 monges conseguiram escapar com vida; eles são conhecidos como os Cinco Veneráveis. Com a ajuda de outros revolucionários construíram um segundo Templo Shaolin, mas pouco tempo depois foi completamente destruído. Muitos monges escaparam, entretanto, o Templo Shaolin ficou sob a terra.

Saiba o que realmente aconteceu com os monges que escaparam com vida da destruição do templo, lendo o post As Tríades e Tongs Chinesas. Leia também os posts Kung FuEspecializações do Kung Fu e A Quintessencia do Kung Fu.

Usando o Templo Shaolin em suas Crônicas

O Templo Shaolin pode ser utilizado das mais variadas formas nas suas crônicas de  Street Fighter: The Storytelling Game. Ele pode ser o lar de um dos personagens jogadores, inclusive rolando seu Prelúdio no próprio templo. Encontrar o lendário Templo Shaolin de Hunan pode ser o objetivo de personagens exploradores. Talvez as pinturas das paredes do templo sejam o segredo para aprender uma antiguíssima técnica do Kung Fu do Dragão Branco.

O Narrador devem ter em mente que mesmo que as lendas (ou histórias) do Templo Shaolin indiquem que ele tenha sido arruinado a séculos, nada impede que ele permaneça intacto em sua crônica. Os monges eram muito inteligentes e facilmente poderiam ter reconstruído o templo em um lugar isolado, como montes tibetanos, por exemplo. Dessa forma, longe de todos, seria mais fácil reeerguer suas tradições sem uma nova represália.

Antiga pintura do Templo Shaolin

Rude Despertar

Nick Fontana

Este é o dia, Nick Fontana disse para si mesmo.

Ninguém com mais de 20 anos acharia este comentário divertido. Muito menos alguém com 18 para 19 anos (como Nick) entenderia sua excitação…na verdade, ninguém entenderia.

Este é o dia, ele disse para si mesmo novamente. Este é meu dia. Seu primeiro confronto oficial no Circuito Street Fighter. Não, ele corrigiu a si mesmo mentalmente, minha primeira vitória no circuito. Sim, este será um dia a ser lembrado.

Ele estava preparado. Preparado como nunca havia estado antes. Ele sabia disso. Ele sentia isso. Ele estava rápido e flexível como uma cobra. Ele tinha um par de olhos de predador, para avaliar as fraquezas do oponente e um instinto assassino que poderia intimidar o mais poderoso dos vilões. Ele estava ansioso e preparado para chutar uns traseiros.

Nick saltou para fora do vestiário, onde ele vestia sua roupa. Ele estava pegando fogo por dentro, e começou a exercitar alguns combos no ar – um Fierce de ferro no queixo, Dragon Punch e Power Uppercut. Ele podia ouvir suas mãos cortando o ar, se sentindo o protagonista de um dos muitos filmes de Kung Fu que assistiu durante a infância. Me dê um par de palitos japoneses, ele pensou cerrando os dentes, e nenhum vôo em Mobile é seguro.

Mobile. Mobile, Alabama. A avenida onde marcaram sua luta, o que o enraivecia muito. Sua primeira luta profissional – porque não podia ser em sua cidade natal Seattle? Os outros artistas de sua banda, Os Centauros, poderiam vê-lo chutando uns traseiros e fazendo fama. Inferno, talvez até seus pais pirados poderiam aparecer – coisas estranhas tem acontecido ultimamente. Aqui em Mobile, pensava, ele não conhecia ninguém. Ele estava só. Até mesmo seu sensei, Shimizu, não estava aqui.

Nick levantou sua cabeça pensativo. Ele terá um monte de coisas para contar quando voltar ao dojô de Shimizu em Seattle. O velho sensei não achava que Nick estivesse preparado para o circuito oficial. Ao menos deveria ter treinado mais um ano antes de sua primeira luta profissional, o velho homem disse. Um ano? Um ano idiota? Isto era uma eternidade! Nick sabia que estava preparado e sabia que podia dar o seu melhor aqui, nesta luta.

Treinamento, katas e sparring são ótimos. Porém nada pode superar a experiência adquirida em um combate de verdade. Então, quando o promotor do evento contatou-o diretamente, e não através de Shimizu – que maravilha – ele se ofereci para lutar na Arena Mobile. Por alguns minutos ele discutiu com Shimizu sobre a viagem, mas ele acabou cedendo e até organizou os preparativos.

O organizador, J.J. Weller, o aguardou no aeroporto. Ele era um grande homem, vestido de preto, com um cabelo loiro rebelde e arrepiado e usando correntes de prata. Ele está sempre fazendo gracinhas e rindo de piadas que Nick não consegue entender. Quando Nick pergunta o que há de tão engraçado ele torce o nariz. Em outra ocasião, Nick deixaria-o falando sozinho e ia embora. Mas estava aqui a negócios. Era o que dizia a si mesmo.

Então aqui está ele. No vestiário da Arena de Mobile, Alabama. Ele pode ouvir a platéia, sua platéia: o barulho ensurdecedor de vozes, muitos passos, gritos de excitação e fúria; barulhos que somente poderiam ser feitos por milhares de pessoas.

A porta rapidamente abriu, e J.J. botou sua cabeça para dentro. Seu cabelo estava mais rebelde e desordenado do que de costume (excesso de spray pra cabelo, Nick pensou.) Pronto?

Nasci pronto, Nick disse.

Weller ficou quieto. Você enfrentará O Cajun dentro de alguns minutos. O empresário disse, mas nós podemos muito bem deixar seus fãs verem-no um pouco antes da batalha.

Tá’ certo.

Aqui está outra desvantagem em lutar em Mobile, Nick era obrigado a seguir Weller através do corredor de concreto. Se a luta fosse em Seattle, ele teria tido uma chance de escapar fora de seu oponente. Aqui? Sem chance. “O Cajun”? Que diabos era ele? Que estilo ele luta? Quais truques e combos ele sabe? Com certeza ele não é da divisão Tradicional, deve ser de alguma outra. Shimizu não aprovava outras divisões, e “O Cajun” provavelmente não usa estilos formais. Inferno, aquilo estava chateando Nick. Ele podia estar lutando – e vencendo – muito antes de ele saber coisas como estilos formais. Tudo seu mestre figurava, não há muito fora daqui que podia surprêende-lo.

Weller bateu a mão no ombro de Nick reassegurando e gesticulando para ele seguir em frente. Por um momento, Nick hesitou. Então ele deu de ombros e se meteu no último e escuro corredor com luzes brilhante no fim. Como aqueles sábios dizem sobre morrer e renascer, ele pensou, hoje é o fim de minha velha vida e início de uma nova. Ele emergiu de um tunel…

Seus joelhos se paralisaram. Weller tinha dito a ele que a casa estava cheia – 18.000 pessoas e aumentando. Ele pensou que sabia o que isto significava.

Sem chance de enlouquecer. Ele já tinha visto grandes platéias, mas somente na tv. Na tv você não pode realmente ouvir o povo, não pode cheirá-lo e certamente não pode senti-lo. Ainda mais importante, cada um destes 18.000 estava olhando para ele. Ele sentiu a sensação dos olhos sobre ele, como uma carga elétrica atravessando seu corpo. Quando reconheceramno quando o povo viu que era um dos lutadores da noite – a platéia rugiu, e o som bateu em seu corpo como uma onda do oceano.

Eu tenho que vencer. O pensamento chocou nele com intensidade. Este é meu dia. No impulso, Nick tirou seu boné de baseball (o único com o logo de sua banda) e jogou-o na platéia. Ele riu alto enquanto assistia o povo se matar pelo boné. Aqui é onde eu quero estar.

Nick subiu ao ringue, no calor das luzes, e aguardou. Ele não precisou aguardar muito. Ele ouviu o anunciante gritar Doce casa de Alabama ou algum recado como este. Então sua voz reverberou através da arena. Senhoras e senhores, isto é o que vocês estão esperando. Estão preparados para o maior evento da tarde?

A platéia ama isso, Nick pensou confuso, eu imagino que até o inferno seja um lugar melhor que esse. Nick notou que a maioria dos gritos era do lado do oponente. Esta é Mobile, ele lembrou-se a si mesmo, não estou em casa.

O narrador continuou seu discurso. Senhoras e senhores, esta é uma luta no estilo livre. Sem armas, sem manobras letais e sem mordidas! Ele proferiu as últimas palavras como uma piada, e a platéia rugiu em um riso de aprovação. Nick, tremeu. Eu perdi alguma coisa?

No canto azul, o narrador falou alto, em sua primeira batalha profissional pelo circuito, do playground de Evergreen… Nick Fontaaaana!

Nick foi bombardeado pelos gritos, engrandecendo-o, sentindo sua energia subir para os músculos e como se seus reflexos ficassem ainda melhores. É para isto que eu nasci, ele disse a si mesmo. Tudo que se passou até agora foi apenas treinamento.

E no canto vermelho, o narrador continuou, o favorito local. Vocês já o viram neste ringue antes, e vocês o verão novamente. Seu recorde é de 72 vitórias – 51 por nocautes! – 14 derrotas e nenhum empate.

Espere um pouco! Nick pensou, saindo de seu delírio repentinamente. 72 vitórias, 51 por nocaute? Ele olhou ferozmente para Weller, que estava parado ao lado do ringue. O promotor olhou para ele e deu de ombros.

Sim? Bem, nós veremos.

O narrador ainda não terminou, Ele é um dos maiores lutadores do circuito internacional, da Divisão Livre. Você o conhece, você o ama e aqui está ele: Ragin Cajun!!!

Os gritos anteriores ficaram ensurdecedores, mas agora eles causavam dor a Nick. O som da platéia entusiasmada batia de encontro a Nick como pancadas: Ca-jun! Ca-jun! Ca-jun!.

Do topo da arena, os holofotes deixaram de iluminar Nick e se projetaram na direção oposta, para a entrada de um túnel similar ao que Nick entrou. Algo moveu-se lá dentro e veio para a luz.

Mas que diabos é aquilo?

Ele parecia com uma brincadeira sem graça, um refugiado de um filme barato de terror. Ele tinha a altura de um homem, caminhava altivo balançando seus braçoz e pernas, assim como um humano também. Mas ele não era humano, era algo que Nick não conseguia discernir. ele parecia como…

Ele parecia com um homem-crocodilo, treinado para caminhar sobre as duas pernas, usando sua cauda para balancear o peso do seu tronco. Mas não era um crocodilo como os que Nick já vira nos zoológicos, ele tinha músculos em seus braços e pernas como os halterofilistas profissionais. Além disso nenhum crocodilo usaria um maiô de luta-livre colorido daquela maneira. Não, aquilo não era um crocodilo. Mas também não era um humano. Algum tipo de cruzamento? Algum experimento genético daqueles que você ouve falar na televisão e nos jornais?

Independente do que era, a platéia o amava. Eles gritavam. Eles cantavam. Eles faziam “olas”. E o crocodilo adorava cada minuto de ovação. Ele esticava suas grandes mãos acima da cabeça vitorioso, enquanto circulava pelo ringue. Sua boca estava aberta em algo que lembrava um crocodilo-sorrindo (?) com suas dezenas de dentes à mostra.

Mas que diabos é isto, Nick pensava. Ele atravessou o ringue, permanecendo o mais longe que podia daquela aberração, até onde Weller estava. Mas que diabo de aberração é aquela? ele exigiu saber. Ele nem é humano!

Weller sorriu. Mas desta vez não era uma risadinha irônica. Na verdade, havia algo novo no sorriso que Nick não gostava. Aquilo é seu oponente garoto, o promotor disse. Aquilo é o Cajun.

Nick jogou outro olhar para a coisa-crocodilo cheia de dentes e tomou sua decisão. Você não disse nada sobre isso, ele disse firmemente, cruzando seus braços sobre o peito.

Weller desaprovou. Você não perguntou, ele apontou para Nick de uma forma irritante. Eu lhe ofereci uma luta. Você aceitou-a. Fim da história.

Fim da história coisa nenhuma! Nick respondeu de volta. Você me ofereceu uma luta justa, não

O promotor o cortou. Nunca disse nada sobre uma luta justa, garotinho, ele disse friamente. Perguntei a você se você queria uma luta ao estilo livre. Você disse sim. Você assinou o contrato. J.J. chegou perto de Nick, tão perto que ele podia ouvir sua respiração. Eu acho que você não vai querer desitir agora garotinho, ele repreendeu. Seu nome está no contrato, seu nome está nas faixas. Inferno, seu nome está no telão. Você está na arena, pessoas vieram até aqui e pagaram um bom dinheiro para ver você lutar. E você irá. Você fez um acordo, agora você deve cumpri-lo.

O acordo já era! Nick disse apontando o dedo para o peito de Weller.

Não é assim de onde eu venho, garoto, o promotor disse calmamente, Você está escalado para lutar com o Cajun, nem que ele tenha que te perseguir até o vestiário e arrastá-lo de volta esperneando e gritando. Que inferno, garoto, ele ria, olhe para esta platéia! Você acha que eles irão embora antes de ver algum de vocês beijar a lona? A voz de Weller começava a soar como o silvo de uma cobra. Você pode ir se quiser. Mas pense um pouco, esta é uma luta com regras. Hey, quem sabe, talvez você derrote o cajun, huh? Mesmo que você perca, existem nas regras. Não pode ser assim tão ruim. Você ganha o dinheiro, pega seu nome e dá o fora daqui. Da próxima vez você arranja uma luta mais próxima do seu nível. Você não será um covarde ao menos. Por outro lado…

J.J. balançou a cabeça. Por outro lado, você manda pro inferno o acordo, então nós mandamos pro inferno as regras! O Cajun irá acabar contigo, e ele não irá parar até se cansar. Talvez ele tenha piedade, ou talvez arranque seu braço, isto não importa nem pra ele nem pra mim. Você não possuirá um contrato para te defender, então não ganha dinheiro. E você nunca mais conseguirá que outro promotor negocie com um lutador que quebra contratos. Escolha garoto, Weller terminou calmamente. Mas não demore muito, huh? Com isto, ele deu de ombros e saiu caminhando.

Por um momento Nick pensou sobre tudo que Weller dissera. Inferno, weller era grande, mas ele não era dois – ele poderia destruir o empresário se pusesse as mãos nele.

Cajun e Weller

Mas ele segurou a si mesmo. Ele ficaria muito satisfeito em chutar a bunda de Weller, mas isto iria arruinra sua carreira. Parte de seu cérebro o congratulava por ele estar pensando como um profissional, o profissional que ele queria ser um dia. E era exatamente isto que ele não tinha feito até agora, agir com profissionalismo. Isto foi tudo do que Weller falou até agora sem usar a palavra em si. Nick agiu como um moleque, ao aceitar um contrato sem saber mais informações a respeito da luta, no mínimo deveria saber contra quem ou contra o quê ele iria lutar.

Não, ele não havia agido como um profissional até agora. Agora ele tinha uma escolha: seguir com seu acordo e provavelmente ser derrotado, mas derrotado como um Street Fighter profissional; ou desistir e aguentar a fúria do Cajun, vendo sua carreira se esvair junto com seu sangue pela arena.

Com um frio, e irônico sorriso. Nick foi até o centro do ringue e assumiu sua posição de combate. O Cajun se virou para ele e flexionou seus músculos. Medo percorreu o corpo de Nick. Mas profissionais não sentem medo, ou sentem? Claro, eles devem senti-lo, mas não deixam que o medo os controle. Isto é o que realmente significa ser um lutador profissional.

Nick engoliu em seco e esforçou-se ao máximo para pôr um sorriso no rosto. Eu tenho algo para você, seu filho-da-mãe de sangue-frio! ele escarneou, alto o bastante para ser ouvido pela platéia. Venha me pegar, se você conseguir sua aberração!

E assim a batalha iniciou.


Este conto foi escrito por Nigel Findley e é parte integrante do livro Street Fighter RPG: Guia do Jogador, disponível na seção de Livros Oficiais.

Street Poems Alpha

Street Poems

Depois do grande sucesso de Street Poems (em elogios e críticas) sai do forno com um pouco de atraso a continuação da obra poética de Luiz "Goldfield" Oliveira. Street Poems II? Não, Street Poems Alpha! Desta vez Goldfield usa seus dons literáticos (isso existe?) para criar sonetos dos personagens de Street Fighter Alpha. Fica aí a dica!

Cultura na Street Fighter RPG Brasil: Porque nós vamos ao encontro do mais culto!

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Street Fighter Alpha: The Animation

Street Fighter Alpha: The Animation

Também conhecido como Street Fighter Alpha: O Filme, comemora o 20º aniversário de Street Fighter 2 (que será lembrado eternamente como O Street Fighter!) e foi lançado em 1999 pela Group Tac (o mesmo estúdio do excelente Street Fighter 2: Victory). O responsável pelo desenho dos personagens e diretor de animação foi Yoshihiko Umakoshi, que fez um trabalho profissional, mas que dividiu e muito, a opinião dos fãs da série.

Há quem reclame da desproporcionalidade dos pés dos personagens, ou dos braços de Birdie. Os mais saudosos (como eu por sinal) também comentam do estilo meio “Dragon Ball Z” apresentado na animação, onde “simples” Hadoukens causam mega-explosões e por aí vai. De qualquer forma, é como eu sempre digo: “É Street Fighter? Então ‘tá valendo!”. E para os xaropes de plantão: este anime não possui dublagem em português, só se encontra legendado (idiomas originais incluem japonês, inglês e espanhol).

Primeiro de tudo, Street Fighter Alpha não é canônico, ou seja, não faz parte da história original da série (assim como todo o material não-game da franquia…). Voltando ao tema, neste anime vemos um Ryu atormentado por seus demônios internos, tentando entender e ao mesmo tempo controlar o Satsui no Hadou latente no seu corpo, como visto no game SF Alpha, onde Ryu se transforma em Evil Ryu, se entregando ao Hadou Negro (Dark Hadou). Apesar dessa luta filosófica contra si mesmo, quem realmente rouba a cena no anime é Shun, um suposto irmão de Ryu que vivia com sua mãe no Brasil (?!). Pensando bem, o anime é estranho mesmo…

Ryu dominado pelo Satsui no Hadou

O anime segue mostrando uma jovem Chun Li trabalhando na Interpol ao lado de seu colega Wallace, mostra o início do interesse de Sakura pelas artes marciais, mostra uma busca de Ryu por Akuma, visando entender o poder que eles possuem dentro de si e por aí vai. Não há menção de Shadaloo, M. Bison e outros antagonistas célebres da série, que só surgem mais tarde na vida do karateca. No anime temos o Dr. Sadler, um cientista maligno com planos de dominação mundial (só pra variar). Não quero estragar a diversão, mas talvez isso ajude a motivar novos espectadores: o anime culmina com um torneio promovido por Sadler somente para os maiores mestres das artes marciais. Adivinha quem vai estar lá?

Como foi dito antes, o anime não é nenhuma pérola e pode ser facilmente encontrado em sites de download pesquisando corretamente no Google pois tive de retirar daqui por ameaças jurídicas. Se você quer ver Ryu, Ken, Chun Li, Akuma, Guy, Sodom, Dhalsim, Rolento, Rose, Sakura, Zangief, Dan, Vega e Birdie em ação, vale a pena gastar 133 minutos da sua vida, que é a duração do anime. Alguns anos depois apareceu um anime que parecia uma continuação, chamada Street Fighter Alpha: Generations, que de forma alguma se compara a este anime e não, não é uma continuação.

Leia também: Curiosidades de Street Fighter Alpha: The Animation!

Ryu indo de encontro a Akuma

Por motivos legais tive de retirar os vídeos daqui, então busque no Youtube.

Street Fighter 2: Victory

Street Fighter 2 Victory

Logo após o lançamento de Street Fighter 2, a Capcom japonesa tratou de produzir um anime intitulado Street Fighter 2 V (conhecido aqui como SF 2 Victory). A série foi ao ar em 1995, com a direção de Gisaburo Sugii. O anime foi exibido de 10 de abril a 27 de novembro, fazendo jus a boa animação do Group Tac (estúdio que produziu a série, o mesmo de Street Fighter Alpha: The Animation). As aventuras de Ryu e Ken globo afora foram exibidas pela Yomiuri TV, e não foi poupada nenhuma cena com muita pancadaria e sangue rolando a vontade.

O anime de Street Fighter começa muito bem, somos apresentados a excelentes desenhos de personagens e animações. O primeiro, segundo e terceiro episódio da série dão a entender que teríamos pela frente uma série empolgante e repleta de adrenalina (geralmente é isso que sentimos quando jogamos SF), com uma ótima história e desenho, além das lutas, pancadaria e muito sangue, o que faz valer muito a pena assisti-lo! No centro da história temos Ryu e Ken: eles são dois discípulos de artes marciais que treinaram juntos no norte do Japão em sua pré-adolescência, porém acabam sendo separados. Ken voltando para a América e Ryu continuando sua vida no Japão. O anime mostra o reencontro deles, e sua viagem para descobrir fortes lutadores pelo mundo.

Street Fighter 2 Victory não é baseado em nenhum mangá, ou seja, é puro comercial mesmo, sendo amado por uns, e odiado por outros devido às inúmeras diferenças entre o anime e a história original. Com apenas 29 episódios produzidos, o anime seria exclusividade japonesa, porém algo aconteceu… No final da década de 90, o SBT adquiriu da Columbia Pictures uma animação que estava sendo produzida nos EUA da franquia Street Fighter (que, aliás, foi exibida no Brasil e tinha como personagem central o Guile). Porém a animação estava demorando em chegar ao país, e a empresa tinha que cumprir o compromisso com o Brasil, eles então tinham nas mãos o desenho japonês, recém produzido, intitulado Street Fighter 2 Victory, e logo ofereceram ao SBT como uma forma de desculpas pela demora com a animação americana. Sílvio Santos aceitou, e deixou nas mãos da Master Sound o trabalho de dublá-la (confira na entrevista de Nelson Machado)! A série foi exibida diariamente dentro dos infantis do canal, obtendo muito sucesso. A série foi ao ar na íntegra, sem cortes de violência ou coisas do tipo, e logo se tornou sucesso entre as crianças. Tanto a abertura, como o encerramento, ganharam uma excelente dublagem. O anime foi ao ar até meados de 1999 dentro do Sabádo Animado.

Depois de alguns anos fora do ar, a Cartoon Network acaba anunciando a exibição da série que pensávamos que jamais voltaria a ser exibida na tv. Street Fighter 2 Victory voltou a ser exibido no Brasil na tv paga, justamente na época em que animações japonesas bombavam na tv, dentro do programa Toonami. A série veio junto com uma leva de animes ressuscitados pelo canal, como Super Campeões, Os Cavaleiros do Zodíaco e Yu Yu Hakusho. Apesar de ter ganhado uma boa exibição no canal, nenhuma emissora aberta se interessou em adquirir a série. O anime foi reprisado algumas vezes e foi tirado do ar, não retornando assim para a tv brasileira desde então.

Ryu e Ken

Um dos grandes mistérios da série é "Akuma em Street Fighter 2: Victory?". Leia o referido post para maiores detalhes!

Para uma penca de curiosidades sobre o anime, leia "Curiosidades de Street Fighter 2: Victory".

Por motivos legais tive de retirar os vídeos. Busque no Youtube.