
Altura: ??
Peso: ??
País: Brasil
Nascimento: 1991 (~1 ano em SF2)
Há pouco tempo, Ybytu não existia.
Ou talvez existisse de outra forma.
Sua primeira lembrança não é de um nascimento, de uma família ou de uma infância. É a sensação do vento contra o rosto. O mar negro muito abaixo. A lua refletida sobre as águas. E uma certeza impossível de explicar: ele estava voando.
Quando abriu os olhos novamente, estava sozinho no coração da Amazônia. Quando tentou falar pela primeira vez uma língua estranha saiu da sua boca: ele falou tailandês. Claro, ele não sabia o nome daquela língua. Não sabia onde ficava a Tailândia. Não sabia quem a havia ensinado. Apenas sabia falar.
Durante seus primeiros dias, Ybytu viveu como um animal. Caçava quando sentia fome, dormia entre as árvores e explorava a mata seguindo cheiros, sons e instintos que pareciam naturais para um corpo que ele ainda estava aprendendo a compreender. À noite, porém, algo diferente despertava dentro dele.
Uma raiva sem origem.
Quanto mais tentava controlá-la, mais forte ela se tornava.
Até que, certa noite, a fera venceu.
Ybytu teria se perdido completamente naquele primeiro acesso de fúria se não tivesse encontrado alguém muito mais experiente do que ele. Um lutador que atravessava a região chamado Juan Alavez conseguiu derrotá-lo sem matá-lo e permaneceu ao seu lado até que a consciência retornasse. Depois, levou aquela criatura até uma aldeia próxima, onde estava hospedado com um velho amigo.
Foi ali que Ybytu encontrou o mestre de Tae Kwon Do Kang Do-Hyun. Quando viu Ybytu, o mestre enxergou imediatamente aquilo que conhecia bem demais: uma força extraordinária presa a alguém que ainda não sabia dominá-la. Para Kang, aquilo não era uma maldição. Era uma responsabilidade. E assim começaram os treinamentos.
Com o tempo, Ybytu aprendeu a reconhecer a raiva antes que ela tomasse conta. Inspirar. Sentir o chão. Expirar. Deixar a mente retornar.
Sem conhecer outro lar, Ybytu passou a tratar aquela aldeia como seu mundo inteiro. Aprendeu sua língua, seus caminhos e suas tradições. Caçou ao lado dos guerreiros e permitiu que o pajé o ajudasse a compreender os instintos que Kang não podia ensinar: as garras, as presas, a cauda e a percepção predatória que faziam parte de sua natureza.
Hoje, Ybytu é considerado pela aldeia seu guardião.
Para ele, porém, isso é apenas a única vida que conhece.
Nunca viu uma cidade. Nunca caminhou entre multidões. Nunca foi chamado de monstro. Não conhece o preconceito dos homens contra aquilo que não compreendem e ainda acredita que o mundo além da floresta talvez seja tão simples quanto aquele que conhece.
Aparência: Ybytu despertou com o corpo de um jovem quase adulto e a aparência de uma criatura que aquela floresta jamais deveria ter produzido. Alto, ágil e de movimentos felinos, seu corpo humanoide é coberto por uma pelagem branca marcada por listras negras, com garras, presas e uma longa cauda que parece possuir vontade própria. Seus olhos âmbar observam o mundo com a atenção permanente de um predador.
Interpretando Ybytu: sempre sorrindo, com um sorriso largo, confiante e cheio de presas, sorri com facilidade demais para alguém que nasceu sozinho no meio da mata. É um sorriso herdado de uma pessoa que Ybytu nunca conheceu.
A profecia de Ybytu
A tribo que o acolheu, entretanto, jamais o viu como uma fera que precisava ser domesticada.
Para eles, Ybytu havia sido enviado.
Muito antes de seu nascimento, os pajés preservavam uma antiga profecia:
“Quando o mal acordar debaixo da terra, o vento trará a onça branca de listras negras para guardar o povo.”
Nas histórias da aldeia, existia também outro aviso. Muito longe dali, escondida nas profundezas da floresta, repousava uma antiga construção amaldiçoada: uma pirâmide associada a forças que jamais deveriam despertar.
Então, quando uma criatura branca caiu do céu justamente naquela região, os mais velhos não perguntaram o que ela era: perguntaram apenas quando a profecia começaria.
Foi o pajé quem lhe deu seu primeiro nome: Ybytu. Vento. Porque o vento o havia trazido até eles.
Quando dorme, Ybytu sonha com lugares onde jamais esteve.
Vê *canaviais balançando ao vento*.
Um *dojô de madeira*.
Golpes executados por mãos que não são as suas.
Uma floresta distante.
Sangue sobre pêlos brancos.
E, algumas vezes, o rosto de uma mulher usando uma máscara rosa, carregando alguém através da noite.
Ele nunca consegue enxergar o rosto do homem em seus sonhos.
Mas às vezes consegue vê-lo sorrir.
É o mesmo sorriso que Ybytu vê refletido na água todas as manhãs.
O jovem ainda não sabe que nasceu da alma de uma criatura morta em uma ilha distante.
Não sabe que parte do espírito de outro guerreiro vive dentro dele.
Não sabe por que conhece palavras que nunca aprendeu, por que movimentos desconhecidos às vezes parecem familiares ou por que existe dentro de seu peito uma fera que parece se lembrar de uma vida que nunca foi sua.
Para a aldeia, porém, nada disso importa.
A profecia dizia que o vento traria seu guardião.
E o vento trouxe Ybytu.
Mascote de Ybytu
Foi também na aldeia que encontrou seu companheiro inseparável.
Ou, mais precisamente, foi encontrado por ele.
Caju, um pequeno macaco-prego com uma curiosidade muito maior do que seu bom senso, simplesmente subiu em Ybytu durante seus primeiros dias entre os habitantes e decidiu que aquele seria seu lugar. Desde então, vive em seu ombro, rouba comida sempre que pode e parece ser completamente incapaz de compreender por que alguém teria medo de um tigre humanoide de quase dois metros.
Curiosamente, quando a raiva começa a crescer, Caju costuma ser o primeiro a perceber.
E o último a fugir.
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Habilidade Natural de Ybytu
Por ter garras nas mãos e pés e agilidade felina, Ybytu tem -2 de dificuldade em testes que envolvam escalada.


