Conspiração Total

Capítulo XXII: Grandes Inimigos

 

Japão, Zona Rural, 5 de Janeiro de 1998

 

Amanheceu um dia muito frio e nublado. Geou na noite passado. Mesmo assim Kaneda fazia o máximo para aquecer o seu corpo. Uma luta ia começar. Seu oponente Sean e os juízes já tinham chegado. Kaneda não o conhecia, apenas sabia que era o mais novo discípulo de seu colega Ken Masters. Devia ser bom.

– É um prazer conhecê-lo, Sr. Kaneda Jones! – Sean sorriu e reverenciou o oponente.

– ... Já me conhece? – Kaneda assustou-se, reverenciando também.

– Meu mestre falou muito sobre o senhor. Ele disse pra eu dar tudo de mim nessa luta. Eu aprenderia muito, mesmo se perdesse.

– ... – Kaneda apenas sorriu. – Vamos começar então?

– Sim senhor! – Sean sorriu mostrando os dentes.

Kaneda fez um sinal para os juízes, que autorizaram o início da luta. Nesse lugar não há público algum. Apenas o vento e os animais ocasionais podem ser ouvidos. Kaneda ficou em posição de defesa. Afoito, Sean partiu com tudo pra cima dele, atingindo seu punho de defesa com seu famoso Encontrão do Sean.

Um ataque forte, por ser seguido de uma corrida e muito bom. Mas Kaneda estava preparado para o soco. E seguiu com um poderoso golpe. 'É a primeira vez que usarei isso', pensou. Concentrou seu Chi no punho direito. E subiu aos ares num Soco do Dragão, que acertou o queixo de Sean. O garoto já estava caindo, mas Kaneda prossegiu com o Deslocamento do Dragão, conhecido por sua criadora, Sakura, como Shououken. Sean foi acertado várias vezes e jogado contra o duro chão do dojô.

– Shin... Shoryuken! – Kaneda gritou.

Sean ficou por alguns instantes imóvel no chão. Os juízes chegaram a acreditar que a luta estava definida. Kaneda se afastou, continuando na posição de defesa. O garoto brasileiro se levantou, com a boca como um rio de sangue.

– Grande... golpe...

– Humf... Você tem fibra, garoto! – disse Kaneda.

– Agora verá o meu melhor golpe!

Sean correu na direção de Kaneda. Ele concentrava muito Chi. O elementalista do ar apenas ficou esperando pelo ataque. Primeiramente, Sean chutou seu braço de defesa, talvez apenas para distraí-lo. E Sean seguiu com um grande golpe.

– Aaaarrrgghhh! Shoryu Cannon!

– Você perdeu, Sean! – gritou Kaneda.

E ele estava certo. Por mais que o golpe de Sean estivesse carregado de energia, o de Kaneda foi mais rápido. E numa luta isso é essencial. O Soco do Dragão de Kaneda acertou o jovem novamente no queixo, enfim nocauteando-o.

Kaneda refletiu um pouco. Talvez fosse isso que Ken queria que o garoto aprendesse. A não atacar com impulsividade. Ken era assim, e por isso perdeu para Kaneda no passado. Kaneda sorriu e se despediu dos árbitros. Levou Sean para um quarto, onde cuidou dos seus ferimentos.

 

Enquanto isso, mais lutas aconteciam. Na manhã fria de Londres, o boxeador Dudley perdeu para o americano Alex. Os dois gigantes têm algo contra Gill: Dudley quer o carro que seu pai deixou de lembrança e que Gill roubou e Alex quer Patricia, filha do seu mestre Tom e seqüestrada por Gill. O grego fez isso para forçá-los a lutar, e para descobrir se são os Escolhidos.

Em Hong Kong, Ryu derrotou o dono da casa Yang, exímio lutador de Kung Fu que lutava apenas para honrar seus ensinamentos. O irmão gêmeo de Yang, Yun, lutaria no mesmo lugar no dia seguinte. E mais tarde, na Inglaterra, uma luta teria início.

– Interessante... Uma capoeirista! – Hwoarang sorriu.

– Ouvi muito sobre você, Hwoarang, mas por que não lutou no torneio passado? E por que saiu de circulação? – ela sorriu.

– Tive meus motivos.

Elena apenas olhou pra ele. Ela lutava apenas para se divertir, pois adorava desafios! Em 1996 e em 1997 o Street Fighting passou a ser legalizado em vários países, e graças a isso a queniana conheceu o circuito. Ela adorava saber que agora estava sendo vista na televisão de metade dos países do mundo!

– Podem começar!

Elena e Hwoarang ficaram se olhando. A arena de Cammy – e agora também do coreano – ficava num antigo castelo, numa ponte de três metros de largura apenas! A ponte de pedra ligava duas partes do castelo. Um vento frio batia no lugar. 'Se Kaneda venceu com facilidade, também devo fazê-lo!', pensou Hwoarang, que tinha acordado mais cedo para ver Kaneda na TV.

Elena saltou com um forte chute, que Hwoarang defendeu. Ela tentou dar um chute ascendente com muita força, que ela chama de Chifre do Rinoceronte, por compará-lo com o chifre de um rinoceronte. No entanto, ele, mais rápido, a chutou 4 vezes com o seu mais novo golpe:

– Shin... Dankuukyaku!

Ela rolou e caiu a alguns metros de distância muito ferida. Hwoarang deu uns chutes no ar enquanto a garota se levantava. Ela sorriu, mesmo com a dificuldade que teve para se levantar e com o sangue escorrendo pelo nariz aparentemente quebrado.

Hwoarang preparou um chute contra ela, mas a garota foi para bem longe. Elena começou a se concentrar para usar um poder muito raro de se ver: se curar! Mas Hwoarang não deu esse tempo a ela. Seu famoso Chute Tesoura a acertou duas vezes. Ela não se levantou mais.

 

Enquanto isso, na Índia, Iori via a luta pela televisão. Então foi tomar o café da manhã. Estava maravilhado com a riqueza da família de Pullum. Ele comeu com pressa e logo foi encontrá-la no jardim. Estava linda, como sempre. Era um dia quente e o céu estava límpido.

– Oi, Iori! – ela sorriu.

– Oi. E então, vai me mostrar a arena onde lutarei hoje? – perguntou ele, depois de beijá-la.

– C-claro! Venha comigo!

A jovem saiu correndo. Iori demorou um pouco para segui-la. Observava como ela era feliz, como sua adolescência era feliz. A dele não tinha sido nada parecida. Ela parou, olhou para trás e chamou-o novamente.

Ele correu e saltou sobre ela quando chegaram no lugar. Rolaram um pouco no chão, mas logo Iori parou, maravilhado. Era um lindo templo. Um tapete estava no chão, e pilares subiam até o teto, com detalhes em ouro. Por fim, uma bela vista da casa era cedida pela arena, que ficava num lugar um pouco alto.

– Meu Deus, acho que você assistia muito Aladdin! – ele sorriu.

– Seu bobo! E então, gostou?

– Se gostei?! Claro que sim!

– ... – ela apenas sorriu.

– Bom, vou me preparar, pois minha oponente logo vai chegar.

– Eu vou lá para recebê-la, caso chegue.

– Ok!

Pullum o beijou e se foi. Antes, porém, ela disse 'Boa sorte!'. Iori se aqueceu. E estava certo! Logo Pullum chegou com os juízes e com Ibuki, a adversária de Iori. Uma ninja mascarada, filha de Geki, um dos participantes do Torneio de 1987.

– Humf, então você é Iori Hakushu... Eu esperava mais!

– Cuidado, garota, as aparências enganam. E então, com armas ou sem armas?

– Isso se define no meio da luta! – Ibuki sorriu.

– É esperta... Está sendo cautelosa. Vamos começar!

Ibuki não lutava por opção. Na verdade, ela procurava um meio de encontrar Gill. Ela precisava dos Arquivos-G, que continham as informações usadas no projeto que gerou Necro, Eiffie e, por último, o ser de metal líquido Twelve, todos já mortos. Lhe empregaram essa missão.

'Vou acabar com ela depressa, assim como Kaneda e Hwoarang!', pensou Iori. E ele esperou o ataque da ninja, que foi um forte chute. Iori se tornou insubstancial e atravessou-a, indo para atrás dela. Ele atacou com o seu Fúria do Dragão, mas Ibuki se defendeu.

As chamas arderam no ar, e ela foi empurrada para trás. Iori tentou continuar seu ataque, com um chute, mas Ibuki prosseguiu com um poderoso Chute Voador, jogando-o longe no chão. O golpe acertou Iori no queixo, e ele demorou para se mexer. Pullum ficou aflita.

Iori, apoiando-se nas mãos, tentava se levantar. Mas Ibuki não lhe deu tempo para isso. Ela seguiu com três chutes, lembrando a Giratória Dupla de Cody, mas era um golpe diferente! Quando Iori caiu no terceiro chute, recebeu mais um no chão, característica essa do Tsumuji do Ninjitsu!

'Agora acabo com ele!', pensou a ninja. Ela seguiu com o seu Raida. Concentrou muito Chi na palma da mão esquerda e o atacou. Iori, no entanto, saltou para longe, muito assustado. Como podia ter sido ferido tão gravemente?

– Que golpe sujo!

– Então quer lutar de longe, Hakushu? – ela sorriu maliciosamente, apesar de Iori não poder ver isso por causa da sua máscara.

Iori viu três shurikens em cada uma de suas mãos. Ela os arremessou contra ele. Mas, ao invés de assustar-se, o karateca sorriu. Usando uma técnica recém-aprendida, rebateu-os, todos contra a ninja. Ibuki ainda gritou antes e cair no chão.

Ela se levantou, desesperada. Mas Iori foi mais rápido. Acertou-a com um Soco do Dragão, jogando-a longe. Ibuki sentiu muito o golpe. Ainda tentava se levantar, muito fraca. Mas Iori não perdoou.

– Pagará na mesma moeda! Destroyer Raging Dragon!

Muito Chi foi concentrado no punho direito de Iori. Invocando os poderes do fogo, ele subiu numa forma muito mais poderosa do seu Soco do Dragão flamejante. A garota foi acertada duas vezes pelo poderoso golpe, no estômago e na mandíbula, caindo inconsciente.

– Humf, esses ninjas...

– Você venceu, Iori! – gritou Pullum, correndo e saltando sobre ele.

– Mas não foi uma boa vitória. Não fui um artista marcial de verdade nessa luta!

Ele saiu do seu abraço e voltou para o seu quarto. A jovem foi atrás dele, correndo. Ela já estava se acostumando com o temperamento do filho do fogo. E enquanto isso acontecia, Kaneda telefonava para Hwoarang.

 

– Fala, Kaneda!

– Parabéns pela sua vitória!

– Você também! Mas e então, o que é que manda?

– Eu vou enfrentar o americano Alex aqui. E você vai lutar com o Ryu, advinha onde?

– Serio mesmo, cara?!

– Ahan. Então estive pensando: por que não vem pra cá logo? Seria bem divertido!

– É uma boa! Já 'to arrumando as malas então!

– Ok!

Kaneda desligou o celular. Ele pensou um pouco. Amanhã teriam as três lutas que faltavam da primeira fase. E ele temeu por Ken, que enfrentaria nada menos que Fênix! Kaneda não teve dúvidas, ia falar com Ken, nem que fosse por telefone!

 

Índia, Calcutá, Noite de 5 de Janeiro

 

Iori treinava sozinho no quarto. Ele sabia que Ken não venceria Fênix, mesmo que a luta ainda não tivesse acontecido. E sabia que teria que parar o suposto deus. Iori se sentia com essa responsabilidade.

– Iori!

– Pullum? O que faz aqui? – ele perguntou, continuando seus movimentos.

– O delegado amigo do meu pai disse que viram um cara que bate com a descrição daquele que você procura aqui na cidade.

– O quê?! – ele parou. – O Kairi?

– S-sim... – ela se assustou um pouco com o jeito com o qual ele falou.

– Onde ele foi visto?

– Não fale assim com ela! Ela não é sua subordinada! – Darun entrou no quarto também.

– Não enche! Onde ele foi visto?

– No metrô, numa praça aqui perto e no shopping central, tudo hoje. – disse Pullum.

– Certo. Então vamos!

– Estou precisando de um pouco de ação. Vamos procurar seu amigo! – Darun sorriu. – Aqui é tão entediante... Mas teremos que nos dividir.

– É... Pullum, você vai para o shopping, porque lá tem bastante gente. Eu vou para o metrô.

– Ok!

– Ok, fico com a praça.

 

Algum tempo depois, Iori já estava no metrô. Ele, acostumado com Tóquio, estranhou como o lugar era macabro, mesmo para um metrô. Tudo abandonado, as coisas de ferro enferrujadas, muitos mendigos, enfim, um lugar muito esquecido pela cidade.

Logo Iori sentiu uma energia vibrando. 'Algo está errado!', pensou ele, já saindo correndo. Após uns 300 metros viu uma cena peculiar. Uma jovem estava sentada, apoiada na parede rachada. A rachadura devia ter sido causada pelo choque do corpo dela contra a velha parede de concreto. Era Nanase!

– Na... Nanase!

Ela virou a cabeça assustada. Estava muito ferida! Em pé, de frente para ela, estava aquele que Iori tanto procurava. Kairi olhou para ele. 'Ah, é você...', ele disse sorrindo. 'Essa luta já acabou, e essa fraca não é minha irmã!'. Ele se virou e se foi na escuridão.

– Droga... – Iori não soube o que fazer. O último encontro o deixou amedrontado. – Nanase, está bem?

– Iori... Você veio... Me... Sal... Var... – ela fechou os olhos.

 

Algumas horas depois, Iori, Pullum e Darun esperavam o diagnóstico no hospital. Ele tinha telefonado para os dois, que prontamente foram atrás dele no metrô. Pullum enfim se levantou da cadeira desconfortável.

– Ah, isso vai demorar... Iori, vou pra casa.

– Ok. – ele disse, beijando seus lábios.

– Vamos, Darun?

– Vamos.

 

Japão, Zona Rural, Manhã de 6 de Janeiro